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E O RADICAL É O IRÃ?  O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez um apelo às potências ocidentais que respeitem o acordo conquistado entre o Irã, a Turquia e o Brasil, através do qual o Irã cumpre com os requisitos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O acordo prevê que o Irã troque, em território turco, urânio de baixo enriquecimento por combustível necessário para reatores de pesquisas médicas. As potências do Ocidente temem que o Irã use urânio enriquecido para fins bélicos, mas se essa fosse a intenção do presidente Ahmadinejad, por que ele trocaria isso por combustíveis para pesquisas médicas?
Será que os EUA e a UE temem que o Irã jogue máquinas de PET-Scan contra o Pentágono? Não. Os líderes europeus e estadunidenses são espertos o bastante para saber que o material que o Irã receberia em troca do seu urânio não tem nenhum potencial destrutivo. O que todo mundo sabe, porém, é que o Irã tem ricas reservas de petróleo, assim como o Iraque, invadido e ocupado até hoje, com caos, desordem e terrorismo acontecendo todos os dias, especialmente o terrorismo de Estado.
"A declaração de Teerã (sobre um acordo de troca de combustível) constitui a melhor oportunidade; demos um grande passo à frente e dissemos algo muito importante. Já não existem mais desculpas", afirmou o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Além disso, o mandatário iraniano declarou ao presidente Obama que se não aproveitar essa oportunidade, os iranianos não lhe darão outra.
Porém, os líderes da França, China e Estados Unidos, ainda não estão satisfeitos. Em um discurso prolixo, a secretária de estado Hillary Clinton declarou que há diversas lacunas não preenchidas no acordo, sem especificar quais.
Em um mundo com tanta violência, tantos conflitos armados, tanto terrorismo (especialmente o terrorismo de Estado) e tantas ameaças; as nações que se consideram avançadas e desenvolvidas não são capazes de buscar um entendimento com o Irã (que deu um passo importantíssimo nesse aspecto). Os EUA votam sanções contra o Irã e tentam convencer os outros países a fazer o mesmo. Será que teremos mais uma guerra com milhares de mortes em nome do petróleo? Será que os EUA e os países da Europa, que se consideram o cérebro do mundo, não têm capacidade de resolver esses problemas no diálogo e na diplomacia? São necessárias sanções? ameaças? guerras?
Nos anos 80, os EUA apoiaram o Iraque em uma guerra contra o Irã sem vencedores e anos depois, lutou contra o mesmo Iraque que outrora apoiara na Guerra do Golfo. E o radical é o Irã?
Em meados dos anos 90, ao invés de tentar entendimento com Slobodan Milosevic, a OTAN, liderada pelos EUA, bombardeou a antiga Iugoslávia, acertando hospitais, escolas, casas, ambulâncias. E o radical é o Irã?
Sob o pretexto falso de que o Iraque possuía armas de destruição em massa (que até hoje não foram encontradas), os EUA, sem o aval da ONU, invadiram o Iraque, derramando sangue em nome do petróleo e do dinheiro. E o radical é o Irã?
Constantemente os EUA ameaçam militarmente países que discordam de sua política, sempre com o apoio de seus amigos europeus. E o radical é o Irã?
A única nação do mundo que já usou armas nucleares para atacar outra foram justamente os EUA, nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, a bordo de um avião chamado "Enola Gay", sobre o Japão em um exibicionismo desnecessário que custou a vida de 90 mil pessoas sobre uma nação que estava a ponto de se entregar. E o radical é o Irã? POSTADO POR DAVID MELLO EM 26/05/2010 MARCADOR: INTERNACIONAL COMENTÁRIOS |
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